domingo, 7 de março de 2021

Discurso de Adolf Hitler

Em 1934 o Fuhrer discurso para uma plateia de 20000 jovens.

"Porque vocês, são carne da nossa carne, sangue do nosso sangue!"

Meus jovens alemães, após um ano tenho a oportunidade de vos dar as boas vindas. 
Aqueles que estão aqui no estádio são um pequeno seguimento da massa que esta lá fora por toda a Alemanha. Desejamos que vocês rapazes alemães e garotas, absorvam tudo o que nós esperamos da Alemanha para estes novos tempos. Queremos ser uma nação unida, e vocês meus jovens, formarão esta nação. No futuro não desejamos ver classes e vocês precisam de impedir, que isso, apareça entre vocês. É apenas o seguimento das massas e vocês precisam de ser educados para tal. Queremos que estas pessoas sejam obedientes e vocês devem praticar a obediência. Desejamos que as pessoas almejem a paz, mas também sejam corajosas. E vocês alcançarão a paz. Vocês precisam almejar a paz e serem corajosos ao mesmo tempo. Não queremos que esta nação seja fraca, ela deve ser forte, e vocês precisam de se mentalizar enquanto são jovens. Vocês precisam de aprender a aceitar privações sem nunca esmorecerem. Não importa o que criemos e façamos, nos sobreviveremos, mas em vocês, a Alemanha viverá. E quando nada restar de nós, vocês levantaram o país que há algum tempo nós levantamos do nada. E sabem que não pode ser de qualquer outro modo, senão o de estarmos juntos de nós próprios. Porque vocês, são carne da nossa carne, sangue do nosso sangue! E as vossas mentes jovens estão repletas do mesmo ideal que nos orienta. Vocês estão unidos a nós, e quando as grandes colunas do movimento marcharem pela Alemanha vitoriosa, sei que vocês se juntarão às colunas.
E nós sabemos que a Alemanha está diante, dentro e atrás de nós. A Alemanha marcha dentro de nós, a Alemanha segue atrás de nós!


Video do discurso




sábado, 6 de março de 2021

Discurso Nelson Mandela



            Nelson Mandela, Pretória, 10 de Maio de 1994, "Chegou o momento de construir".

            Hoje, através da nossa presença aqui e das celebrações que têm lugar noutras partes do nosso país e do mundo, conferimos glória e esperança à liberdade recém-conquistada.


Da experiência de um extraordinário desastre humano que durou demais, deve nascer uma sociedade da qual toda a humanidade se orgulhará.
Os nossos comportamentos diários como sul-africanos comuns devem dar azo a uma realidade sul-africana que reforce a crença da humanidade na justiça, fortaleça a sua confiança na nobreza da alma humana e alente as nossas esperanças de uma vida gloriosa para todos.
Devemos tudo isto a nós próprios e aos povos do mundo, hoje aqui tão bem representados.
Sem a menor hesitação, digo aos meus compatriotas que cada um de nós está tão intimamente enraizado no solo deste belo país como estão as célebres jacarandás de Pretória e as mimosas do bushveld.
De cada vez que tocamos no solo desta terra, experimentamos uma sensação de renovação pessoal. O clima da nação muda com as estações.
Uma sensação de alegria e euforia comove-nos quando a erva se torna verde e as flores desabrocham.
Esta união espiritual e física que partilhamos com esta pátria comum explica a profunda dor que trazíamos no nosso coração quando víamos o nosso país despedaçar-se num terrível conflito, quando o víamos desprezado, proscrito e isolado pelos povos do mundo, precisamente por se ter tornado a sede universal da perniciosa ideologia e prática do racismo e da opressão racial.
Nós, o povo sul-africano, sentimo-nos realizados pelo facto de a humanidade nos ter de novo acolhido no seu seio; por nós, proscritos até há pouco tempo, termos recebido hoje o privilégio de acolhermos as nações do mundo no nosso próprio território.
Agradecemos a todos os nossos distintos convidados internacionais por terem vindo tomar posse, juntamente com o nosso povo, daquilo que é, afinal, uma vitória comum pela justiça, pela paz e pela dignidade humana.
Acreditamos que continuarão a apoiar-nos à medida que enfrentarmos os desafios da construção da paz, da prosperidade, da democracia e da erradicação do sexismo e do racismo.
Apreciamos sinceramente o papel desempenhado pelas massas do nosso povo e pelos líderes das suas organizações democráticas políticas, religiosas, femininas, de juventude, profissionais, tradicionais e outras para conseguir este desenlace. O meu segundo vice-presidente o distinto F.W. de Klerk, é um dos mais eminentes.
Também gostaríamos de prestar homenagem às nossas forças de segurança, a todas as suas patentes, pelo destacado papel que desempenharam para garantir as nossas primeiras eleições democráticas e a transição para a democracia, protegendo-nos das forças sanguinárias que ainda se recusam a ver a luz.
Chegou o momento de sarar as feridas.
Chegou o momento de transpor os abismos que nos dividem.
Chegou o momento de construir.
Conseguimos finalmente a nossa emancipação política. Comprometemo-nos a libertar todo o nosso povo do continuado cativeiro da pobreza, das privações, do sofrimento, da discriminação sexual e de quaisquer outras.
Conseguimos dar os últimos passos em direcção à liberdade em condições de paz relativa. Comprometemo-nos a construir uma paz completa, justa e duradoura.
Triunfámos no nosso intento de implantar a esperança no coração de milhões de compatriotas. Assumimos o compromisso de construir uma sociedade na qual todos os sul-africanos, quer sejam negros ou brancos, possam caminhar de cabeça erguida, sem receios no coração, certos do seu inalienável direito a dignidade humana: uma nação arco-íris, em paz consigo própria e com o mundo.
Como símbolo do seu compromisso de renovar o nosso país, o novo governo provisório de Unidade Nacional abordará, com maior urgência, a questão da amnistia para várias categorias de pessoas que se encontram actualmente a cumprir penas de prisão.
Dedicamos o dia de hoje a todos os heróis e heroínas deste país e do resto do mundo que se sacrificaram de diversas formas e deram as suas vidas para que nós pudéssemos ser livres.
Os seus sonhos tornaram-se realidade. A sua recompensa é a liberdade.
Sinto-me simultaneamente humilde e elevado pela honra e privilégio que o povo da África do Sul me conferiu ao eleger-me primeiro Presidente de um governo unido, democrático, não racista e não sexista.
Mesmo assim, temos consciência de que o caminho para a liberdade não é fácil.
Sabemos muito bem que nenhum de nós pode ser bem-sucedido agindo sozinho.
Por conseguinte, temos que agir em conjunto, como um povo unido, pela reconciliação nacional, pela construção da nação, pelo nascimento de um novo mundo.
Que haja justiça para todos.
Que haja paz para todos.
Que haja trabalho, pão, água e sal para todos.
Que cada um de nós saiba que o seu corpo, a sua mente e a sua alma foram libertados para se realizarem.
Nunca, nunca e nunca mais voltará esta maravilhosa terra a experimentar a opressão de uns sobre os outros, nem a sofre a humilhação de ser a escória do mundo.
Que reine a liberdade.
O sol nunca se porá sobre um tão glorioso feito humano.
Que Deus abençoe África!


sexta-feira, 5 de março de 2021

Discurso de Mahatma Gandhi



Em 20 de Outubro de 1931, com 62 anos, Mahatma Gandhi decide gravar a sua voz para que desta forma este discurso ecoasse para sempre no tempo.
"Há um poder misterioso indefinível que permeia tudo, sinto-o apesar de não o ver."


Há um poder misterioso indefinível que permeia tudo, sinto-o apesar de não o ver.
É esse poder invisível que se faz sentir e ainda desafia toda a prova, porque é tão diferente de tudo o que vejo através dos meus sentidos. Ele transcende os sentidos.

Mas é possível questionar a existência de Deus até um certo ponto.
Mesmo em assuntos comuns, sabemos que as pessoas não sabem quem as governa ou por quem e como são governadas e ainda assim sabem que há um poder que, certamente, vai regendo.

Na minha viagem do ano passado em Mysore eu conheci muitos aldeões pobres e percebi que eles não sabiam quem governava Mysore. Eles simplesmente disseram que algum Deus governava.
Se o conhecimento dessas pobres pessoas era tão limitado sobre os seus governantes, eu que sou infinitamente menor em relação a Deus, não me surpreendo se não perceber a presença de Deus - o Rei dos Reis.

No entanto, eu sinto-me, como os aldeões pobres se sentiam sobre Mysore. Que não há ordem no universo, existe uma lei inalterável que rege tudo e todos os seres que existe ou vidas.
Não é uma lei cega. Nenhuma lei cega pode governar a conduta do ser vivo. E graças às pesquisas maravilhosas de Sir JC Bose pode agora ser provado que até mesmo a matéria é a vida.

Essa lei, que rege toda a vida é Deus. E a lei e o legislador são um. Eu não posso negar a lei ou o legislador, porque eu sei tão pouco sobre ela ou ele. Assim como minha negação ou a ignorância da existência de um poder terrestre de nada me vai valer, tal como a  minha negação de Deus e Sua lei não vai me libertar de sua operação.

Mas a sua aceitação humilde faz com que a jornada da vida seja mais fácil, tal como a aceitação da lei terrena torna a vida mais fácil.

Eu percebo vagamente, que enquanto tudo ao meu redor está sempre mudando, sempre morrendo, lá está - subjacente a toda a mudança - um poder vivo que é imutável, que mantém todos juntos, que cria, recria e se dissolve.

Esse poder que dá vida em forma de espírito é Deus, e já que nada do que eu vejo apenas através dos sentidos pode ou vai persistir, só Ele é.

E é esse poder benevolente ou malevolente? Eu vejo isso como puramente benevolente, pois posso ver que no meio da morte a vida persiste, no meio da mentira a verdade persiste, no meio das trevas a luz persiste.

Assim entendo que Deus é vida, luz, verdade. Ele é amor. Ele é o Bem supremo.

Mas Ele não é um Deus, que apenas satisfaz o intelecto, se é que ele o faz.
Deus para ser Deus governa o coração e transforma-o. Ele deve expressar-se em cada pequeno acto do Seu devoto.

Isso só pode ser feito através de uma compreensão definitiva, mais real do que os cinco sentidos - que podem sempre produzir percepções. As percepções dos sentidos, podem ser - e muitas vezes são -  falsas e enganosas, por mais reais que possam parecer para nós. Quando há compreensão para além dos sentidos esta é infalível.

Está provado, pela conduta e pelo carácter transformados daqueles que se sentiram a presença real de Deus dentro si. Tal testemunho encontra-se nas experiências de uma linha ininterrupta de profetas e sábios em todos os países. Rejeitar esta evidência é negar-se a si mesmo.

Esta compreensão é precedida por uma fé inamovível. Aquele que é, em sua própria pessoa a prova viva da presença de Deus pode fazê-lo por uma fé viva.

Uma vez que a própria fé não pode ser provada por indícios exteriores o caminho mais seguro é acreditar no governo moral do mundo e, portanto, na supremacia da lei moral , a lei da verdade e do amor. O exercício da fé vai ser o mais seguro, onde há uma clara determinação sumariamente a rejeitar tudo o que é contrário à verdade e amor.

Confesso que não tenho nenhum argumento para convencer através da razão. A fé transcende a razão. Tudo o que eu posso aconselhar é a não tentar o impossível.


quarta-feira, 3 de março de 2021

Discurso de Martin Luther King

Discurso realizado por Martin Luther King sobre as escadarias do Monumento Abraham Lincoln em Washington D.C..   "Que a liberdade ressoe!"


Há cem anos, um grande americano, sob cuja sombra simbólica nos encontramos, assinava a Proclamação da Emancipação. Esse decreto fundamental foi como um raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de uma vergonhosa injustiça. Veio como uma aurora feliz para terminar a longa noite do cativeiro. Mas, cem anos mais tarde, devemos enfrentar a realidade trágica de que o Negro ainda não é livre.

Cem anos mais tarde, a vida do Negro é ainda lamentavelmente dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação. Cem anos mais tarde, o Negro continua a viver numa ilha isolada de pobreza, no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o Negro ainda definha nas margens da sociedade americana, estando exilado na sua própria terra.

Por isso, encontramo-nos aqui hoje para dramaticamente mostrarmos esta extraordinária condição. Num certo sentido, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque. Quando os arquitectos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de independência, estavam a assinar uma promissória de que cada cidadão americano se tornaria herdeiro.

Este documento era uma promessa de que todos os homens veriam garantidos os direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à procura da felicidade. É óbvio que a América ainda hoje não pagou tal promissória no que concerne aos seus cidadãos de cor. Em vez de honrar este compromisso sagrado, a América deu ao Negro um cheque sem cobertura; um cheque que foi devolvido com a seguinte inscrição: "saldo insuficiente". Porém nós recusamo-nos a aceitar a ideia de que o banco da justiça esteja falido. Recusamo-nos a acreditar que não exista dinheiro suficiente nos grandes cofres de oportunidades deste país.

Por isso viemos aqui cobrar este cheque - um cheque que nos dará quando o recebermos as riquezas da liberdade e a segurança da justiça. Também viemos a este lugar sagrado para lembrar à América da clara urgência do agora. Não é o momento de se dedicar à luxuria do adiamento, nem para se tomar a pílula tranquilizante do gradualismo. Agora é tempo de tornar reais as promessas da Democracia. Agora é o tempo de sairmos do vale escuro e desolado da segregação para o iluminado caminho da justiça racial. Agora é tempo de abrir as portas da oportunidade para todos os filhos de Deus. Agora é tempo para retirar o nosso país das areias movediças da injustiça racial para a rocha sólida da fraternidade.

Seria fatal para a nação não levar a sério a urgência do momento e subestimar a determinação do Negro. Este sufocante verão do legítimo descontentamento do Negro não passará até que chegue o revigorante Outono da liberdade e igualdade. 1963 não é um fim, mas um começo. Aqueles que crêem que o Negro precisava só de desabafar, e que a partir de agora ficará sossegado, irão acordar sobressaltados se o País regressar à sua vida de sempre. Não haverá tranquilidade nem descanso na América até que o Negro tenha garantido todos os seus direitos de cidadania.

Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir as fundações do nosso País até que desponte o luminoso dia da justiça. Existe algo, porém, que devo dizer ao meu povo que se encontra no caloroso limiar que conduz ao palácio da justiça. No percurso de ganharmos o nosso legítimo lugar não devemos ser culpados de actos errados. Não tentemos satisfazer a sede de liberdade bebendo da taça da amargura e do ódio.

Temos de conduzir a nossa luta sempre no nível elevado da dignidade e disciplina. Não devemos deixar que o nosso protesto realizado de uma forma criativa degenere na violência física. Teremos de nos erguer uma e outra vez às alturas majestosas para enfrentar a força física com a força da consciência.

Esta maravilhosa nova militancia que engolfou a comunidade negra não nos deve levar a desconfiar de todas as pessoas brancas, pois muitos dos nossos irmãos brancos, como é claro pela sua presença aqui, hoje, estão conscientes de que os seus destinos estão ligados ao nosso destino, e que sua liberdade está intrinsecamente ligada à nossa liberdade.

Não podemos caminhar sozinhos. À medida que caminhamos, devemos assumir o compromisso de marcharmos em frente. Não podemos retroceder. Há quem pergunte aos defensores dos direitos civis: "Quando é que ficarão satisfeitos?" Não estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos incontáveis horrores  da brutalidade policial. Não poderemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, cansados das fadigas da viagem, não conseguirem ter acesso a um lugar de descanso nos motéis das estradas e nos hotéis das cidades. Não poderemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade fundamental do Negro for passar de um gueto pequeno para um maior. Nunca poderemos estar satisfeitos enquanto um Negro no Mississipi não pode votar e um Negro em Nova Iorque achar que não há nada pelo qual valha a pena votar. Não, não, não estamos satisfeitos, e só ficaremos satisfeitos quando a justiça correr como a água e a rectidão como uma poderosa corrente.

Sei muito bem que alguns de vocês chegaram aqui após muitas dificuldades e tribulações. Alguns de vocês saíram recentemente de pequenas celas de prisão. Alguns de vocês vieram de áreas onde a vossa procura da liberdade vos deixou marcas provocadas pelas tempestades da perseguição e sofrimentos provocados pelos ventos da brutalidade policial. Vocês são veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que um sofrimento injusto é redentor.

Voltem para o Mississipi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para a Luisiana, voltem para as bairros de lata e para os guetos das nossas modernas cidades, sabendo que, de alguma forma, esta situação pode e será alterada. Não nos embrenhemos  no vale do desespero.

Digo-lhes, hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Tenho um sonho que um dia esta nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: "Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais".

Tenho um sonho que um dia nas montanhas rubras da Geórgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos poderão sentar-se à mesa da fraternidade.

Tenho um sonho que um dia o estado do Mississipi, um estado deserto, sufocado pelo calor da injustiça e da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.

Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caractér.

Tenho um sonho, hoje.

Tenho um sonho que um dia o estado de Alabama, cujos lábios do governador actualmente  pronunciam palavras de ... e recusa, seja transformado numa condição onde pequenos rapazes  negros, e raparigas negras, possam dar-se as mãos com outros pequenos rapazes brancos, e raparigas brancas, caminhando juntos, lado a lado, como irmãos e irmãs.

Tenho um sonho, hoje.

Tenho um sonho que um dia todo os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão  niveladas, os lugares ásperos serão polidos, e os lugares tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e todos os seres a verão, conjuntamente.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul. Com esta fé seremos capazes de retirar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar as dissonantes discórdias de nossa nação numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade. Com esta fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.

Esse será o dia quando todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado: "O meu país é teu, doce terra de liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada localidade ressoe a liberdade".

E se a América quiser ser uma grande nação isto tem que se tornar realidade. Que a liberdade ressoe então dos prodigiosos cabeços do Novo Hampshire. Que a liberdade ressoe das poderosas montanhas de Nova Iorque. Que a liberdade ressoe dos elevados Alleghenies da Pensilvania!

Que a liberdade ressoe dos cumes cobertos de neve das montanhas Rochosas do Colorado!

Que a liberdade ressoe dos picos curvos da Califórnia!

Mas não só isso; que a liberdade ressoe da Montanha de Pedra da Geórgia!

Que a liberdade ressoe da Montanha Lookout do Tennessee!

Que a liberdade ressoe de cada Montanha e de cada pequena elevação do Mississipi.

Que de cada localidade, a liberdade ressoe.

Quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada aldeia, de cada estado e de cada cidade, seremos capazes de apressar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção negra: "Liberdade finalmente! Liberdade finalmente! Louvado seja Deus, Todo Poderoso, estamos livres, finalmente!"




segunda-feira, 1 de março de 2021

Discurso Barack Obama

Discurso de vitória de Barack Obama no dia 4 de novembro de 2008 no Parque Grande de Chicago, após ter vencido as eleições ao seu concorrente John McCain.
"E aqui estamos nós, frente a frente com o cinismo e as dúvidas daqueles que nos dizem que não somos capazes, e a quem respondemos com o credo intemporal que representa o espírito de um povo: Sim, somos capazes."


Se alguém ainda duvida que a América é o lugar onde todos os sonhos são possíveis, se ainda questiona se os sonhos dos nossos fundadores ainda estão vivos, se ainda questiona o poder da nossa democracia, teve esta noite a resposta.
Foi a resposta dada pelas filas que se estendiam à volta das escolas, das igrejas em números que a nossa nação nunca viu antes, feitas de pessoas que esperaram três a quatro horas, muitas pela primeira vez nas suas vidas, porque acreditavam que desta vez tinha de ser diferente, que as suas vozes podiam fazer a diferença.
Foi a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, Democratas e Republicanos, negros, brancos, latinos, asiáticos, homossexuais, heterossexuais, deficientes, americanos que enviaram a mensagem ao mundo de que não somos somente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de estados vermelhos ou azuis.
Nós somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América.
Foi a resposta que levou aqueles a quem foi dito durante tanto tempo para serem cínicos e receosos e duvidarem do que somos capazes de fazer e para colocar as mãos na arca da história e vergá-la mais uma vez em direcção à esperança num dia melhor.
Levou muto tempo, mas esta noite, por causa do que fizemos hoje nesta eleição e neste momento decisivo, a mudança chegou à América.
Há pouco tempo antes, no início da noite, recebi uma simpática chamada do senador McCain.
O senador McCain  lutou muito durante esta campanha. E lutou ainda mais e durante mais tempo pelo país que ama. Ele fez sacrifícios pela América que a maior parte de nós não consegue sequer imaginar. Estamos bem pelo serviço que ele prestou, pela sua bravura e abnegação.
Dou-lhe os parabéns. Também dou os parabéns à Governadora Palin por tudo o que conquistou. E fico na expectativa de trabalhar com eles para renovar as promessas feitas a esta nação nos meses que se aproximam.
Quero agradecer ao meu companheiro nesta jornada, um homem que fez a campanha com todo o seu coração, e falou por homens e mulheres com quem cresceu nas ruas de Scranton e com quem partilhou o comboio de volta a casa no Delaware, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
E não estaria aqui esta noite sem o apoio incondicional da minha melhor amiga nos últimos 16 anos, o pilar da nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama.
Sasha e Malia amo-vos mais do que podem imaginar. E conquistaram o cãozinho que vem connosco para a nova Casa Branca.
E, apesar de já não estar entre nós, sei que a minha avó nos está a ver, com o resto da família que fez de mim  quem sou. Sinto a vossa falta. Sei que a minha dívida para com eles não é mensurável.
À minha irmã, Maya, à minha irmã Alma, a todos os meus irmãos e irmãs, obrigado por todo o apoio que me deram. Estou-vos muito grato.
E ao director da minha campanha, David Plouffe, o herói não celebrado desta campanha,  que construiu, acho eu,  a melhor campanha política na história dos Estados Unidos da América.
Ao meu responsável pela estratégia, David Axelrod, que tem sido meu companheiro ao longo de todo o caminho.
À melhor equipa de campanha alguma vez reunida na história política e que tornou tudo isto possível, estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir tudo isto.
Mas, acima de tudo, nunca esquecerei que esta vitória vos pertence, na verdade, a todos  vós. É vossa.
Não era o candidato mais provável para este cargo. Não começamos com muito dinheiro ou patrocínios. A nossa campanha não foi planeada nos corredores de Washington. Começou em Des Moines, nas salas de Concord, nas varandas de Charleston. Foi crescendo com o trabalho de homens e mulheres que contribuíram com o que tinham e que recorreram ás suas poupanças para dar 5, 10 ou 20 dólares.
Ganhou força com  os mais novos que  rejeitaram o mito de geração apática, que deixaram as suas casa, famílias por  empregos  mal pagos e noites mal dormidas.
Ganhou força com a geração já não tão jovem que se aventurou no frio e no calor para bater a portas de estranhos  e dos milhões de americanos que se voluntariaram e organizaram e provaram que passados mais de dois séculos um governo de pessoas, pelas pessoas e para as pessoas continua a existir na Terra.
Isto é vitória.
E sei que não fizeram isto somente para ganhar a eleição. E sei que não o fizeram por mim.
Fizeram-nos porque perceberam a enorme tarefa que nos espera. Porque apesar de celebrarmos esta noite, sabemos que os desafios que o dia de amanhã nos trás são os maiores da nossa vida ? duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira num século.
Apesar de estarmos aqui esta noite, sabemos que existem americanos no deserto do Iraque, nas montanhas do Afeganistão que arriscam as suas vidas por nós.
Há mães e pais que não conseguem adormecer e que ficam a pensar como pagar as hipotecas ou as contas do médico ou se conseguem poupar o suficiente para a educação dos filhos.
Temos de rentabilizar a nossa energia, criar novos postos de trabalho, construir novas escolas e lidar com ameaças e reparar alianças.
O caminho que nos espera é longo. A nossa subida difícil. Podemos não chegar lá num ano, ou mesmo num mandato. Mas, América, nunca tive tanta esperança como a que tenho hoje de que chegaremos lá.
Prometo-vos, que como pessoas chegaremos lá.
Teremos contrariedades e falsas partidas. Haverá muitos que não irão concordar com cada decisão que tome como presidente. E sabemos que o governo não é capaz de resolver todos os problemas.
Mas serei sempre honesto convosco em relação aos  desafios que enfrentamos. Vou ouvir-vos, em especial quando discordarmos. E, acima de tudo, vou pedir-vos para que se juntem a mim no trabalho de reconstrução desta nação, da única forma que sempre foi feito na América nos últimos 221 anos – bloco a bloco, mão calosa em mão calosa.
O que começou há 21 meses no inverno não pode terminar nesta noite de Outono.
Não é esta vitória a mudança que pretendemos. É a única forma de começarmos a mudança. E isso não pode acontecer se voltarmos a ser como éramos.
Não acontece sem vós, sem o novo espírito de serviço, o novo espírito de sacrifício.
Vamos unir-nos num novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, em que cada um de nós resolve participar e trabalhar mas e olhar não só por nós mesmo mas também pelos outros.
Não nos esqueçamos que se a crise financeira nos ensinou alguma coisa foi de que não podemos ter uma Wall Street florescente enquanto que os outros sofrem.
Neste país, levantamo-nos e caímos como uma nação só, como um povo.  Resistamos á tentação de voltar a cair no mesmo sectarismo, mesquinhez e imaturidade que envenenou a nossa política durante tanto tempo.
Relembremos que foi um homem deste Estado que pela primeira vez carregou a bandeira do Partido Republicanos até à Casa Branca, um partido que teve por base a autoconfiança, a liberdade individual e a unidade nacional.
Esses são os valores que todos partilhamos. E apesar do Partido Democrata ter conquistado uma grande vitória esta noite, fazemo-lo com a humildade e a determinação de sarar o que nos divide e que impediu o nosso progresso.
Como Lincoln disse a uma nação muito mais dividida do que a nossa, não somos inimigos, mas sim amigos. Apesar da paixão nos levar a exageros, não deve quebrar os nossos laços afectuosos.
E aqueles americanos cujo apoio ainda tenho de conquistar, posso não ter ganho o vosso voto esta noite, mas ouço a vossa voz. Preciso da vossa ajuda. E serei, também, o vosso presidente.
E para todos os que têm os olhos postos em nós esta noite,  para além das nossas costas, dos parlamentos aos palácios, para aqueles que  se juntaram à volta de rádios nos cantos mais esquecidos do mundo, as nossas histórias são diferentes mas o nosso destino é partilhado, e uma  nova aurora se levanta na liderança americana.
Para aqueles que querem destruir o mundo: nós vamos destruir-vos. Para os que querem paz e segurança: nós apoiamos-vos. E para aqueles que se interrogam sobre se a luz de liderança da América continua viva: esta noite provamos, mais uma vez, que a força da nossa nação não vem do nosso poder militar ou da escala da nossa riqueza, mas do enorme poder dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e esperança.
Essa é a verdadeira genialidade da América: a sua capacidade de mudança. A nossa união pode ser perfeita. O que conseguimos dá-nos ainda mais esperança em relação ao que podemos conseguir amanhã.
Esta eleição tinha muitas estreias e muitas histórias que serão contadas ao longo de gerações. Mas uma que está na nossa mente hoje é sobre uma mulher que votou em Atlanta. Ele assemelha-se a muitos milhões que estiveram na fila para fazer ouvir a sua voz nesta eleição por uma razão: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Ela nasceu na geração da escravatura; num tempo em que não havia carros na estrada, aviões no céu; quando alguém como ela não podia votar por duas razões: porque era mulher e por causa da cor da sua ele.
E, esta noite, penso em tudo o que viu no centenário de vida na América – o desespero e a esperança; a luta e progresso; as vezes que nos disseram que não eram capazes e aqueles que mantiveram a sua capacidade de dizer: Sim, somos capazes.
E este ano, nesta eleição, ele tocou com o dedo no ecrã e fez o seu voto, porque depois de 106 anos na América, depois dos melhores tempos e dos mais obscuros, ela sabe que a América pode mudar.
Sim, somos capazes.
América, chegamos até aqui. Já vimos muito. Mas ainda há muito para fazer. Por isso, esta noite, perguntemos a nós mesmos: se as nossas crianças viverem para chegar ao próximo século; se as nossas filhas tiverem a sorte de viver tanto como Ann Nixon Cooper, que mudanças vão poder ver? Quer progressos teremos feito?
Esta é a nossa oportunidade de responder a essa questão. Este é o nosso momento.
Este é o nosso tempo, de voltar a dar trabalho à nossa gente, de abrir as portas da oportunidade aos nossos filhos; de restaurar a prosperidade e promover a paz; de reclamar o sonho americano e de reafirmas a verdade fundamental de que, no meio de muitos, somos um; que enquanto respiramos, mantemos a esperança. E aqui estamos nós, frente a frente com o cinismo e as dúvidas daqueles que nos dizem que não somos capazes, e a quem respondemos com o credo intemporal que representa o espírito de um povo: Sim, somos capazes.
Obrigado. Deus vos abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América.




Videos do Discurso

(Parte I)

(Parte II)



domingo, 28 de fevereiro de 2021

Discurso de Vladimir Lenin

Em Março de 1919 o locutor da III Internacional Comunista (Komintern) era Vladimir Ilitch Lenin.
"Mais algum tempo, e veremos a vitória do comunismo em todo o mundo"

Em Março do corrente ano de 1919 realizou-se em Moscovo o congresso internacional dos comunistas. Esse congresso fundou a III Internacional Comunista a união dos trabalhadores de todo o mundo que aspiram ao estabelecimento do poder dos sovietes em todos os países. A I Internacional, fundada por Marx, existiu de 1864 a 1872. A derrota dos heróicos operários parisienses da célebre Comuna de Paris significou o fim dessa internacional. Ela é inesquecível, ficará para sempre na história das lutas dos trabalhadores pela sua liberdade. Ela lançou os alicerces do edifício dessa república socialista mundial que agora temos a honra de construir. A II Internacional existiu de 1889 a 1914, até à guerra. Esse foi o período em que o capitalismo mais tranquilamente e pacificamente se desenvolveu, um tempo sem grandes revoluções. Nesse período, o movimento operário fortaleceu-se e amadureceu numa  série de países, mas os líderes operários na maioria dos partidos,tendo-se acostumado aos tempos de paz, perderam a aptidão para a luta revolucionária. Quando, em 1914, começou a guerra que cobriu a terra de sangue no decorrer de quatro anos (guerra entre capitalistas pela partilha dos lucros e pelo domínio sobre os povos pequenos e fracos), esses socialista passaram para o lado dos seus governantes. Eles traíram os trabalhadores. Eles ajudaram a prolongar a carnificina. Eles tornaram-se inimigos do socialismo! Eles passaram para o lado dos capitalistas.As massas operárias viraram as costas a esses traidores do socialismo. Em todo o mundo iniciou-se uma virada em direcção à luta revolucionária. A guerra mostrou que o capitalismo morreu, e que para o seu lugar uma nova ordem estava a chegar e que os traidores do socialismo desonraram a velha palavra socialismo. Actualmente os trabalhadores que permaneceram fiéis à tarefa de derrubar o domínio do capital chamam-se a si mesmo de comunistas. Numa série de países já triunfou o poder dos sovietes. Mais algum tempo, e veremos a vitória do comunismo em todo o mundo, veremos a formação de uma República Federativa Mundial dos Sovietes.



Discurso de Charles de Gaulle

 Em Junho 18, 1940, em 19:00, a voz de de Gaulle era transmissão por todo o país.
 "Aconteça o que acontecer, a chama da resistência francesa não deve extinguir-se..."
 


Os chefes que há muitos anos se encontram à frente dos exércitos franceses formaram um governo.
Este governo, alegando a derrota dos nossos exércitos, entrou em contacto com o inimigo para cessar o combate.
É certo que fomos e estamos a ser esmagados ela força mecânica, terrestre e aérea do inimigo.
Muito mais que o seu número, são os tanques, os aviões e a táctica dos Alemães que nos fazem recuar. Foram os tanques, os aviões e a táctica dos Alemães que surpreenderam os nossos chefes ao ponto de os levarem onde estão hoje.
Mas estará dita a última palavra? Deverá a esperança desaparecer? Será a derrota definitiva? Não!
Acreditem em mim, que vos falo com conhecimento de causa e vos digo que nada está perdido para a França. Os mesmos meios que nos venceram podem um dia dar-nos a vitória.
Porque a França não está sozinha! Não está sozinha! Não está sozinha! Tem um vasto Império atrás de si. Pode formar um bloco com o Império Britânico, que domina o mar e continua a luta. Pode, tal como a Inglaterra, utilizar sem limites e imensa indústria dos Estados Unidos.
Esta guerra não se limita ao território infeliz do nosso país. Esta guerra não é definida pela batalha de França. Esta guerra é uma guerra mundial. Todas as falhas, todos os atrasos e todos os sofrimentos não impedem que existam, no universo, todos os meios necessários para um dia esmagar os nossos inimigos. Esmagados hoje pela força mecânica, poderemos vencer no futuro com uma força mecânica superior. É aí que reside o destino do mundo.
Eu, General de Gaulle, actualmente em Londres, convido os oficiais e soldados franceses que se encontram ou se venham a encontrar em território britânico, com ou sem as suas armas, convido os engenheiros e os operários especializados das industrias de armamento que se encontram ou venham a encontrar em território britânico, a entrarem em contacto comigo.
Aconteça o que acontecer, a chama da resistência francesa não deve extinguir-se e não se extinguirá.
Amanhã, tal como hoje, falarei na Rádio de Londres.


 

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Discurso de Winston Churchill

Primeiro discurso de Winston Churchill na Câmara dos Comuns enquanto primeiro-ministro britânico, em que apresentou uma Moção de Confiança ao Governo que ia dirigir. "Sangue, sofrimento lágrimas e suor"


Na última sexta-feira à noite recebi de Sua Majestade o encargo de constituir novo Governo. Era evidente desejo do Parlamento e da Nação que este Governo tivesse a mais ampla base possível e que incluísse todos os Partidos. 
Fiz já a parte mais importante desse trabalho.
Formei um gabinete de guerra com cinco membros, que representam, com a Oposição Trabalhista, e os Liberais, a unidade nacional. Era necessário que tudo isto se fizesse num só dia, dada a extrema urgência e gravidade dos acontecimentos. Outros cargos importantes foram providos ontem e apresentarei esta noite ao Rei uma nova lista. Conto concluir amanhã a nomeação dos principais ministros. 
A escolha dos restantes ministros normalmente leva um pouco mais de tempo, mas espero que, quando o Parlamento voltar a reunir-se, essa parte da minha tarefa esteja terminada e a constituição do Governo se encontre completa sob todos os pontos de vista. Entendi ser de interesse público propor que a Câmara fosse convocada para hoje. No final da sessão de hoje, propor-se-á o adiamento dos trabalhos até terça-feira, 21 do corrente, tomando-se as disposições adequadas para que a convocação se faça antes disso, se necessário for. As questões a discutir serão notificadas aos Srs. deputados o mais cedo possível. 
Convido agora a Câmara, pela moção apresentada em meu nome, a registar a sua aprovação das medidas tomadas e a afirmar a sua confiança no novo Governo.
A resolução:
Esta Câmara saúda a formação de um governo que representa a vontade única e inflexível da Nação de prosseguir a Guerra com a Alemanha até uma conclusão vitoriosa.
Formar um Governo de tão vastas e complexas proporções é, já por si, um sério empreendimento, mas devo recordar ainda que estamos na fase preliminar duma das maiores batalhas da história, que fazemos frente ao inimigo em muitos pontos - na Noruega e na Holanda -, e que temos de estar preparados no Mediterrâneo, que a batalha aérea contínua e que temos de proceder nesta ilha a grande número de preparativos. 
Neste momento de crise, espero que me seja perdoado não falar hoje mais extensamente à Câmara. Confio em que os meus amigos, colegas e antigos colegas que são afectados pela reconstrução política se mostrem indulgentes para com a falta de cerimonial com que foi necessário actuar. Direi à Câmara o mesmo, que disse aos que entraram para este Governo: Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor. Temos perante nós uma dura provação. Temos perante nós muitos e longos meses de luta e sofrimento. 
Perguntam-me qual é a nossa política? Dir-lhes-ei; fazer a guerra no mar, na terra e no ar, com todo o nosso poder e com todas as forças que Deus possa dar-nos; fazer guerra a uma monstruosa tirania, que não tem precedente no sombrio e lamentável catálogo dos crimes humanos. -; essa a nossa política. 
Perguntam-me qual é o nosso objectivo? Posso responder com uma só palavra: Vitória – vitória a todo o custo, vitória a despeito de todo o terror, vitória por mais longo e difícil que possa ser o caminho que a ela nos conduz; porque sem a vitória não sobreviveremos. 
Compreendam bem: não sobreviverá o Império Britânico, não sobreviverá tudo o que o Império Britânico representa, não sobreviverá esse impulso que através  dos tempos tem conduzido o homem para mais altos destinos. 
Mas assumo a minha tarefa com entusiasmo e fé. Tenho a certeza de que a nossa causa não pode perecer entre os homens. Neste momento, sinto-me com direito a reclamar o auxílio de todos, e digo Unamos as nossas forças e caminhemos juntos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Discurso de Elon Musk

 Discurso de Elon Musk na festa de formatura de Calthec em 2012

"Vocês são os mágicos do século XXI"

Eu gostaria de agradecer por deixarem "louco" de fora da vossa introdução.

Eu estava tentando pensar qual é a coisa mais útil que posso dizer para ser útil para vocês no futuro. E pensei, talvez contar a história de como vim parar aqui. Como é que estes coisas acontecem? Talvez haja lições aí. Muitas vezes pergunto-me, como é que aconteceu.

Quando eu era jovem, eu realmente não sabia o que fazer quando ficasse mais velho. As pessoas continuavam sempre a perguntar-me. Eventualmente, achei que a ideia de inventar coisas seria muito boa. A razão para eu pensar isso foi porque li uma citação de Arthur C. Clark, “Uma tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia.” Isso é mesmo verdade. Se você voltar, digamos, 300 anos, as coisas que consideramos certas hoje, você seria queimado por dize-las. Ser capaz de voar. Isso é louco. Ser capaz de ver à distância, ser capaz de se comunicar, a Internet como um mente grupal e ter acesso a todas as informações do mundo instantaneamente de qualquer lugar na Terra. Isso realmente seria considerado mágico no passado.

Na verdade, acho que vai além disso. Há muitas coisas que tomamos como garantidas hoje que não eram sequer imagináveis em tempos passados, então vai além disso. Então eu pensei, se eu pudesse fazer algumas dessas coisas - se eu puder fazer avançar a tecnologia, isso é como magia e seria muito cool.

Sempre tive uma crise existencial, tentando descobrir 'o que isso tudo significa?' Eu cheguei à

conclusão de que se podemos avançar o conhecimento do mundo, se podemos expandir o escopo e a escala de consciência, então, somos mais capazes de fazer as perguntas certas e nos tornar mais iluminados. Essa é a única maneira de seguir em frente.

Então, eu estudei física e negócios, porque para fazer essas coisas você precisa saber como

o universo funciona e como funciona a economia e você também precisa ser capaz de juntar pessoas para criar algo. É muito difícil criar algo como indivíduos se for um tecnologia significativa.

Então, vim para a Califórnia para descobrir como melhorar a densidade dos veículos elétricos, se há um capacitador avançado, para servir como alternativa às baterias. Isso foi em 1995. Isto foi quando a Internet começou a acontecer. Achei que poderia buscar essa tecnologia, onde o sucesso pode não ser um dos resultados possíveis, o que é sempre complicado, ou participar na Internet e ser parte dela. Então, decidi desistir. Felizmente, vocês já estão formados, então, não posso ser acusado de recomendar isso para vocês. Eu fiz algumas coisas na Internet, [Risos] vocês sabem. Eu fiz algumas coisas aqui e ali. Uma delas é o PayPal.vTalvez seja útil dizer que uma das coisas importantes na criação do PayPal foi como ele

começou. Inicialmente, o objetivo com o PayPal era criar um conglomerado de serviços financeiros, para que todos os serviços financeiros pudessem ser perfeitamente integrados para funcionar sem problemas. E tínhamos um pequeno recurso, pagamentos por e-mail. Sempre que mostramos o sistema, mostramos a parte difícil, o conglomerado de serviços financeiros, que é difícil de montar. Ninguém estava interessado. Em seguida, mostramos às pessoas os pagamentos por e-mail, que eram fáceis de organizar, e todos estavam interessados. Portanto, é importante receber feedback do seu ambiente. Você quer ser como circuito fechado tanto quanto possível.

Então, focamo-nos nos pagamentos por e-mail e tentamos fazer esse trabalho. Foi ai que as coisas boas começaram a descolar. Mas, se não tivéssemos respondido ao que as pessoas disseram, provavelmente não teríamos tido sucesso. Portanto, é importante procurar coisas assim e focar nelas, e corrigir as suas suposições anteriores.

Saindo do PayPal, pensei: bem, quais são alguns dos outros problemas que provavelmente afetam o futuro da humanidade? Não da perspetiva “qual é a melhor maneira de ganhar dinheiro”, o que está certo, mas foi realmente “o que eu acho que mais afetará o futuro de humanidade.” O maior problema terrestre é a energia sustentável. Produção e consumo de energia de forma sustentável. Se não resolvermos isso neste século, teremos sérios problemas. E outra coisa que pensei que poderia afetar a humanidade é a ideia de tornar a vida multi-planetária. Este último é a base para SpaceX e o primeiro é a base para Tesla e SolarCity. Quando eu comecei a SpaceX, inicialmente, pensei que bem, não há como alguém abrir uma empresa de foguetes. Eu não era tão louco. Mas, então, pensei, bem, qual é uma maneira de aumentar o orçamento da NASA? Que era na verdade meu objetivo inicial. Se pudéssemos fazer uma missão de baixo custo a Marte, Oasis, que pousaria com sementes em gel nutriente desidratado, depois hidrate-as ao pousar. Teríamos uma ótima foto de plantas verdes com fundo vermelho [risos]. O público tende a responder a precedência e superlativos. Esta seria a primeira vida em Marte e a vida que viajou mais longe. Isso deixaria as pessoas animadas e aumentaria o orçamento da NASA. Mas o resultado financeiro seria zero. Qualquer coisa seria melhor do que isso. Então eu viajei para a Rússia três vezes para analisar a compra de um ICBM reformado ... [risos] ... porque esse foi o melhor negócio. [Risos] E eu posso dizer-vos, foi muito estranho ir no final de 2001-2002 para a Rússia e dizer “Eu quero comprar dois dos seus maiores foguetões, mas você pode manter as armas nucleares.” [Risos] As armas nucleares eram muito mais caras. Isso foi há 10 anos. Eles pensaram que eu era louco, mas eu tinha dinheiro. [Risos] Então, tudo bem. [Risos]

Depois de fazer várias viagens à Rússia, cheguei à conclusão de que, a minha impressão inicial foi errada sobre não existir vontade suficiente para explorar e expandir para além da Terra e ter uma base em Marte. Eu estava errado. Há muita vontade, principalmente nos Estados Unidos. Porque os Estados Unidos são uma nação de exploradores, vieram pessoas de outras partes do mundo. Os Estados Unidos são um destilaria do espírito da exploração humana. Se as pessoas pensam que é impossível e isso vai esgotar o orçamento, eles não vão fazer isso.

Então, depois da minha terceira viagem, eu disse, tudo bem, o que precisamos fazer já é tentar resolver o problema de transporte no espaço e iniciei o SpaceX. Isso ia contra o conselho de quase todos com quem conversei. [Risos]. Um amigo meu fez-me assistir a vídeos de foguetões explodindo. [Risos] Ele não estava muito errado. Foi difícil chegar lá no começo. Nunca construí nada físico. Eu nunca tive uma empresa que construiu algo físico. Então, eu tive que reunir a equipa certa de pessoas. Fizemos tudo isso, então, fracassamos três vezes. Foi difícil, difícil. Pense num foguetão, a nota de aprovação é 100%. E você não consegue testar o ambiente real em que o foguetão estará. Então, acho que a melhor analogia para engenheiros aeroespaciais é, se você deseja criar um software complicado, você não pode executar como um todo integrado, ou executá-lo no computador em que foi projetado para ser executado, mas, na primeira vez que você o executa, ele precisa de ser executado sem erros. Essa é a essência disto. Então, nós erramos.

No primeiro lançamento, peguei os pedaços do foguetão no local de lançamento. E aprendemos com cada vôo sucessivo. E foram capazes de, eventualmente, em 2008, alcançar a órbita. Também foi com o último pouco dinheiro que tínhamos. Graças a Deus isso aconteceu. Quarta vez é o charme? [Risada]. Então, colocamos o Falcon 1 em órbita. Então, começou a escalar até Falcon 9, com uma ordem de magnitude mais confiante, cerca de um milhão de libras de confiança. Conseguimos colocar isso em órbita, em seguida, desenvolveu a aeronave Dragon, que recentemente atracou na estação espacial e voltou para a terra. [Aplausos] Este foi um evento tenso. [Risada]. Foi um grande alívio. Eu ainda não consigo acreditar que realmente aconteceu. No entanto, há muito mais para acontecer para a humanidade se tornar uma  espécie multi planetária. É de vital importância. E espero que alguns de vocês participem nisso na SpaceX ou noutras empresas. É realmente uma das coisas mais importantes para a preservação e extensão da consciência. É importante notar que a Terra existe há 4 mil milhões de anos, mas a civilização em termos de escrita tem apenas cerca de 10.000 anos, isto sendo generoso.

Então, é realmente uma existência um tanto tênue da civilização e da consciência na terra. Na verdade, estou bastante otimista sobre o futuro da Terra. Eu não quero dar a impressão errada de que estamos todos prestes a morrer. [Risos] Acho que as coisas ficarão bem por um longo tempo na terra. Não tenho certeza, mas, provavelmente. Mas mesmo que seja 99% provável, com uma chance de 1% ainda vale a pena esforço para fazer backup da biosfera e alcançar a redundância planetária. [Risada]. E eu penso que é muito importante.

E para fazer isso, há grandes coisas que precisam de ocorrer. Criar rapidamente um sistema de transporte para Marte reutilizável. É algo bem no limite do impossível. Mas, esse é o tipo de coisa que vamos tentar alcançar com o SpaceX.

E então, na frente do Tesla, o objetivo era mostrar o que os carros elétricos podem fazer. Nós tivemos que mudar as perceções das pessoas. Eles costumavam pensar que os carros elétricos eram lentos e feios, com baixa alcance, como um carrinho de golfe. Então, criamos o Tesla Roadster, um veículo para mostrar que é rápido e atraente e de longo alcance. Mesmo que você possa mostrar algo no papel e os cálculos sejam claros, até que você tenha um objeto físico, ele realmente não penetra. Se você pretende criar uma empresa, você precisa de criar um protótipo funcional. Tudo funciona bem no PowerPoint. Você pode fazer qualquer coisa funcionar no PowerPoint. Se você tiver uma demonstração modelo, mesmo na forma primitiva, é muito mais eficaz para convencer as pessoas. Então nós fizemos o Roadster, e agora vamos lançar o modelo S, um sedan de 4 portas. Algumas pessoas disseram, “Claro que você pode fazer um carro caro de pequeno porte, mas você pode fazer um carro de verdade?” Certo, tudo bem, vamos fazer isso também. [Risos] Então, isso está saindo. E é aí que as coisas estão e, esperançosamente, há lições a serem tiradas de lá.

Acho que o ponto exagerado que quero mostrar é que vocês são os mágicos do século XXI, não deixem que nada vos detenha. A imaginação é o limite. Vá lá para fora e crie algo mágico.

Obrigada.




domingo, 7 de fevereiro de 2021

Maiores discursos Publicitários

 

Discurso produzido pelo Turismo de Portugal para a campanha de promoção do país denominada “A Letter for the New Year”.

 

Dear You,

If you have to choose one thing, just one thing for your new year, what would it be?

Think quickly

Each year its a journey, it’s time to choose your paths and where you’re heading. It’s time to choose who you’re going whith, how you’re going and when you’re going. It’s time to choose how many beautiful twilight’s and incredible trips, how many unforgettable kisses and spontaneous smiles you’re going to experience.

To those who choose to cultivate friendships may you reap good friends! To those who choose to love constantly and abundantly may it never be too little. Because every good choice we make, desserves to happen someday. Choices are wishes with links. Messages we send our selfs to remind us what to do. If you had to choose one thing, just one thing for your new year what would it be?

I hope you come to me. Come and find me again or meet me for the first time. I’m sure you will find it was the good choice.

Happy 2016.

Signed,

Portugal

 

Tradução:

 

Meus queridos,

Se tivessem de escolher uma coisa, apenas uma coisa para o vosso ano novo, o que seria?

Pensem rápido!

Cada ano é uma jornada, é tempo de escolherem os vossos caminhos e para onde estão a ir. É tempo de escolherem com quem irão, como irão e quando irão. É tempo de escolherem quantos por-do-sóis e incríveis viagens, quantos beijos inesquecíveis e sorrisos espontâneos irão vivenciar.

Para aqueles que decidem cultivar a amizade, que possam ter bons amigos! Para aqueles que decidem amar constantemente e abundantemente, que nunca seja pequeno demais. Porque cada boa escolha que fazemos, merece acontecer algum dia. Escolhas são desejos com ligações. Mensagens que mandamos a nós próprios para nos lembrarmos o que fazer. Se tivessem de escolher uma coisa, apenas uma coisa para o vosso ano novo, o que seria?

Eu espero que venham até mim. Venham e descubram-me novamente ou conheçam-me pela primeira vez. Tenho a certeza que irão descobrir que foi uma boa escolha.

Feliz 2016.

Assinado,

Portugal



Veja os melhores discursos publicitários aqui.

domingo, 3 de janeiro de 2021

Maiores discursos do Cinema

Discurso de Rollo na série Vikings produzida para o canal História e escrita e dirigida por Michael Hirst.


Soldier – What are your orders?

Rollo: My orders?

Soldier: Shall we break off the attack? We gather our forces.

Rollo: Break off the attack?

Soldier: We have already considerable losses. Perhaps, given the circunstances, it would be better if we gather together…

(Rollo kill the soldier and throw him over bord)

Rollo: All of my life and all of your lives have come to this point. There is nowhere else to be but here, nowhere to live or die, but here. To be here now is the only thing that matters. Gather all of your strength, and all of your sweetness, to an iron ball. We will attack again and again until we reach and overcome their King, or die in the attempt!

Attack, attack, attack, row the horns, bit the drums and have courage or there will be no turning back, only victory or death!

Tradução:

Soldado: Quais são as suas ordens?

Rollo: As minhas ordens?

Soldado: Devemos cancelar o ataque? Juntávamos as nossas forças.

Rollo: Cancelar o ataque?

Soldado: Já temos baixas consideráveis. Talvez, dadas as circunstâncias, fosse melhor reunirmos…

(Rollo mata o soldado e atira-o borda fora)

Rollo: Toda a minha vida e toda a vossa vida chegaram a este ponto. Não há nenhum outro sitio para estar a não ser aqui, nenhum outro sitio para viver ou morrer a não ser aqui. Estar aqui agora é a única coisa que importa.

Juntem todas as vossas forças, e toda a vossa doçura numa bola de ferro. Nós iremos atacar uma vez e outra vez, até alcançarmos e derrotarmos o rei deles, ou até morrermos a tentar.

Ataquem, ataquem, ataquem, soem os alarmes, soem os tambores e tenham coragem, pois não há voltar a dar, apenas a vitória ou a morte!




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domingo, 1 de novembro de 2020

Discurso do Rei George VI

Discurso do Rei George VI, no filme "O discurso do Rei" dirigido por Tom Hooper.

"With God's help, we shall prevail"

King George VI: In this grave hour, perhaps the most fateful in our history, I send to every household of my peoples, both at home and overseas, this message, spoken with the same depth of feeling for each one of you, as if I were able to cross your threshold and speak to you myself. For the second time in the lives of most of us, we are at war. Over and over again we have tried to find a peaceful way out of the differences between ourselves and those who are now our enemies. But it has been in vain. We have been forced into a conflict, for we are called to meet the challenge of a principle, which, if it were to prevail, would be fatal to any civilized order in the world. Such a principle, stripped of all disguise, is surely the mere primitive doctrine that might is right. For the sake of all that we ourselves hold dear, it is unthinkable that we should refuse to meet the challenge. It is to this high purpose that I now call my people at home, and my peoples across the seas, who will make our cause their own. I ask them to stand calm and firm and united in this time of trial. The task will be hard. There may be dark days ahead, and war can no longer be confined to the battlefield. But we can only do the right as we see the right, and reverently commit our cause to God. If one and all we keep resolutely faithful to it, then, with God's help, we shall prevail.

Tradução:

Rei George VI: Nesta hora negra, talvez a mais fatídica da nossa história, envio a todos os lares do nosso povo, tanto no continente como além fronteiras, esta mensagem, dirigida com um sentimento profundo a cada um de vós, como se me fosse possível atravessar as barreiras físicas e falar-vos diretamente. Pela segunda vez na vida da maioria de nós, estamos em guerra. Tentamos incessantemente encontrar um caminho de paz nas diferenças existentes com aqueles que são agora os nossos inimigos. No entanto, foi em vão. Fomos forçados a entrar num conflito, sendo chamados a combater um princípio, que, se prevalecesse seria fatal para qualquer ordem civilizacional. Tal princípio, desprovido de qualquer disfarce, é certamente a doutrina primitiva que poderá estar certa. Pelo amor de todos aqueles que nos são queridos, é impensável que nos recusemos a aceitar tal desafio. É em função deste objetivo superior, que falo ao povo do meu país e aqueles que se encontram fora dele, sabendo que farão deles a nossa causa. Peço-lhes que se mantenham calmas, firmes e unidas neste tempo de provação. A tarefa será difícil. Teremos certamente dias negros pela frente, e a guerra não ficará mais confinada aos campos de batalha. Mas nós apenas podemos fazer o bem quando vemos o bem e entregando reverentemente a nossa causa a Deus. Se todos nós nos mantivermos decididamente fiéis à causa, então, com a ajuda de Deus, nós iremos prevalecer.

domingo, 18 de novembro de 2018

Discurso J. K. Rowling

Discurso de JK Rowling na festa de formatura da Universidade de Harvard em 2008
"Nós não precisamos de magia para mudar o mundo, nós já carregamos todo o poder que precisamos dentro de nós mesmos: nós temos o poder de imaginar melhor."


Presidente Faust, membros da Corporação de Harvard e do Conselho de Administração, membros do corpo docente, pais orgulhosos e, acima de tudo, formandos.
A primeira coisa que eu gostaria de dizer é ‘muito obrigado’. Não apenas porque Harvard que me conferiu uma honra extraordinária, mas também pelas semanas de medo e náusea que eu tenho vivenciado ao pensar em fazer um discurso nesta cerimônia de formatura e que me fizeram perder peso. Uma situação em que só ganhei! Agora tudo o que eu tenho de fazer é respirar fundo, olhar para as bandeiras vermelhas e enganar-me a mim mesma, acreditando que estou na maior convenção mundial da Grifindória.
Fazer um discurso numa cerimônia de formatura é uma grande responsabilidade; ou assim eu pensava até relembrar-me da minha própria formatura. O orador da cerimônia daquele dia foi a distinta filósofa britânica Baronesa Mary Warnock. Refletir sobre o seu discurso me ajudou enormemente a escrever este, porque percebi que eu não me conseguia lembrar de uma única palavra do que ela tinha dito. Essa descoberta libertadora possibilitou-me continuar sem qualquer receio de que eu poderia influenciar vocês a inadvertidamente abandonar as suas carreiras promissoras nos negócios, na justiça ou na política em troca das delícias vertiginosas de se tornar um bruxo gay.
Vêem? Se tudo o que vocês se lembrarem nos próximos anos for a piada do “bruxo gay”, eu ainda saí à frente da Baronesa Mary Warnock. Objetivos alcançáveis: o primeiro passo para o aperfeiçoamento pessoal.
Na verdade, eu tenho procurado na minha mente e no meu coração o que eu deveria dizer hoje a vocês. Perguntei a mim mesma, o que gostaria de ter sabido na minha própria formatura, e quais as lições importantes que eu aprendi nos 21 anos que se passaram entre aquele dia e este.
Surgiram-me duas respostas. Neste dia maravilhoso, quando estamos todos reunidos para celebrar o vosso sucesso acadêmico, eu decidi falar com vocês sobre os benefícios do fracasso. E, como vocês estão no limite do que muitas vezes é chamado de ‘vida real’, eu quero exaltar a importância crucial da imaginação.
Podem parecer escolhas idealistas ou paradoxais, mas por favor acompenhem-me:
Olhar de voltar para a garota de 21 anos de idade que eu tinha na formatura, é uma experiência um pouco desconfortável para a mulher de 42 anos na qual me tornei. Meia vida atrás, eu estava num desequilíbrio preocupante entre a ambição que eu tinha para mim mesma, e o que aqueles mais próximos esperavam de mim.
Estava convencida de que a única coisa que eu queria fazer, sempre, era escrever romances. No entanto, meus pais, ambos os quais vieram de origens pobres e nenhum dos dois tinham ido à faculdade, achavam que a minha imaginação fértil era uma divertida loucura pessoal e que nunca poderia pagar uma hipoteca, ou garantir a minha reforma.
Eles tinham esperanças de que eu teria um curso vocacional; eu queria estudar Literatura Inglesa. Um acordo foi feito e que, em retrospetiva, não satisfez ninguém, e eu fui estudar Linguas Modernas. Mal o carro dos meus pais dobrava a esquina no fim da rua e eu descartava Alemão e corria para os corredores de Literatura Clássica.
Não me lembro de ter contado aos meus pais que estava estudando Literatura Clássica; eles podem muito bem ter descoberto pela primeira vez no dia da formatura. De todas as formações deste planeta, acho que eles dificilmente poderiam indicar uma menos útil do que Mitologia Grega, para assegurar as chaves para uma casa de banho executiva.
Eu gostaria de deixar claro, que não culpo os meus pais pelo ponto de vista deles. Existe uma data de validade em culpar os seus pais por nos colocar na direção errada; o momento em que você é adulto o suficiente para tomar o controle, a responsabilidade recai sobre você. Além disso, eu não posso criticar meus pais por esperarem que eu nunca experimentasse a pobreza. Eles tinham sido pobres, e eu já fui pobre, e concordo completamente com eles de que esta não é uma experiência enobrecedora. A pobreza implica medo, e stress, e algumas vezes depressão; isso significa milhares de pequenas humilhações e dificuldades. Sair da pobreza pelos seus próprios esforços, é de fato algo para se orgulhar, mas a pobreza em si é romantizada apenas pelos tolos.
O que eu mais temia quando tinha a vossa idade não era a pobreza, mas o fracasso. Na vossa idade, apesar de uma clara falta de motivação na Universidade, onde eu tinha gasto muito tempo escrevendo histórias em cafés, e pouquíssimo tempo assistindo palestras, eu tinha uma aptidão em passar nos exames e que, por anos, tinha sido a medida de sucesso na minha vida e dos meus colegas.
Não sou tola o suficiente para supor que, por serem jovens talentosos e bem educados, vocês nunca passaram por dificuldades ou mágoas. O talento e a inteligência nunca imunizaram ninguém contra o capricho do destino e nem por um momento eu imaginei que todos aqui têm desfrutado de uma existência de contentamento e privilégios serenos.
No entanto, o fato de vocês estarem se formando em Harvard sugere que não estão muito bem familiarizados com o fracasso. Vocês poderão ser conduzidos por um receio do fracasso tanto quanto por um desejo pelo sucesso. De facto, a vossa concepção de fracasso pode não estar muito longe da ideia de sucesso de uma pessoa comum, de tão alto que vocês já voaram academicamente.
No final de contas, todos precisamos decidir, por nós mesmos, aquilo que constitui o fracasso, mas o mundo é bastante ávido para lhe dar um conjunto de critérios, se você deixá-lo. Por isso acho justo dizer que por qualquer medida convencional, meros sete anos após o dia da minha formatura, eu tinha fracassado numa escala épica. Um casamento de duração excepcionalmente curta, eu estava desempregada, era uma mãe solteira, e tão pobre quanto é possível se ser na Grã-Bretanha moderna sem ser uma sem-abrigo. Os receios que os meus pais tinham tido para mim, e que eu tinha tido para mim mesma, ambos tinham acabado por acontecer, e de acordo com o padrão normal eu era a maior fracassada que conhecia.
Agora, eu não vou ficar aqui e dizer-vos que a frustração é divertida. Esse período da minha vida foi bem obscuro, e eu não tinha idéia de que ia acontecer aquilo que a imprensa tem, desde então, descrito como uma espécie de fim de conto de fadas. Eu não tinha idéia de quão longo era o túnel e por muito tempo, qualquer luz no seu final era mais esperança do que realidade.
Então por que eu falo sobre os benefícios do fracasso? Simplesmente porque fracasso significa despir-se do que não é essencial. Eu parei de fingir para mim mesma que eu era diferente, e comecei a orientar toda a minha energia em terminar o único trabalho que importava para mim. Se eu realmente tivesse alcançado sucesso em qualquer outra coisa, eu poderia nunca ter encontrado a determinação para ter sucesso naquela área na qual eu verdadeiramente acreditava que pertencia. Eu estava em liberdade, porque o meu maior receio já tinha sido realizado, e eu ainda estava viva, e ainda tinha uma filha que eu adorava, e tinha uma velha máquina de escrever e uma grande idéia. Então o fundo do poço se tornou a base sólida sobre a qual eu reconstruí a minha vida.
Talvez vocês nunca falhem na escala que eu falhei, mas alguns fracassos na vida são inevitáveis. É impossível viver sem falhar em algo, a menos que você viva de uma forma tão cautelosa que você pode não ter vivido de verdade – nesse caso, você falha por omissão.
O fracasso me deu uma segurança interna que eu nunca tinha atingido passando em exames. Ele também me ensinou coisas sobre mim que eu não poderia ter aprendido de nenhuma outra forma. Descobri que tinha uma grande força de vontade e mais disciplina que suspeitava; também descobri que eu tinha amigos cujo valor não pode ser medido.
Conseguir erger-se de uma forma sábia e forte a partir de uma derrota significa que você está sempre seguro da sua capacidade de sobreviver. Vocês nunca se vão conhecer verdadeiramente a vocês mesmos, ou a força de seus relacionamentos, até que ambos tenham sido testados pela adversidade. Esse conhecimento é um verdadeiro dom, por isso que é adquirido arduamente, e tem significado para mim mais do que qualquer qualificação que já ganhei.
Se me fosse dada uma máquina do tempo ou um Vira-Tempo, eu diria ao meu Eu de 21 anos que a felicidade pessoal reside em saber que a vida não é uma lista de verificação de aquisições ou realizações. As suas qualificações, o seu currículo, não são a sua vida, embora vocês vão conhecer muitas pessoas da minha idade e mais velhas que confundem as duas coisas. A vida é difícil e complicada, e está além do controle total de qualquer um. A humildade de saber isso capacita-vos para sobreviver às suas duras provas.
Vocês poderiam pensar que eu escolhi meu segundo tema, a importância da imaginação, devido ao seu papel na reconstrução da minha vida mas não é inteiramente por isso. Apesar de que eu defender o valor de contar histórias para dormir até meu último suspiro, eu tenho aprendido a valorizar a imaginação num sentido muito mais amplo. A imaginação não é apenas distinta capacidade humana de vizualizar aquilo que não existe, sendo assim a fonte todas as invenções e inovações. Na sua indiscutível capacidade transformar e revelar, ela proporciona-nos empatia com outros seres humanos cujas experiências jamais compartilhamos.
Uma das maiores experiências da minha vida antecedeu Harry Potter, apesar de fundamentar muito do que eu escrevi naqueles livros em seguida. Essa revelação veio na forma de um dos meus primeiros empregos diurnos. Embora eu costumasse dar uma fugida para escrever histórias durante a minha hora de almoço, eu pagava a renda aos meus vinte e poucos anos, a trabalhar no departamento de investigação na sede da Amnistia Internacional, em Londres.
Lá, no meu pequeno escritório, li cartas escritas rapidamente contrabandeadas por regimes totalitários, por homens e mulheres que arriscaram serem presos ao informar o mundo exterior do que estava acontecer com eles. Eu vi fotografias daqueles que tinham desaparecido sem deixar rastro, enviadas à Amnistia pelas suas famílias e amigos desesperados. Eu li os testemunhos das vítimas de tortura e vi fotos dos seus ferimentos. Eu abri descrições escritas à mão de testemunhas oculares dos julgamentos e execuções sumárias, de seqüestros e violações.
Muitos dos meus colegas de trabalho eram ex-presos políticos, pessoas que tinham sido deslocadas das suas casas, ou fugiram para o exílio, porque eles tiveram a audácia de pensar de uma forma diferente do seu governo. Os visitantes do nosso escritório incluíam aqueles que tinham vindo para fornecer informações, ou tentar descobrir o que havia acontecido àqueles que eles tinham sido obrigados a deixar para trás.
Nunca vou esquecer do africano, vítima de tortura, um jovem não mais velho do que eu era naquela época, que se tinha tornado mentalmente doente depois de tudo o que tinha sofrido na sua terra natal. Ele tremia incontroladamente enquanto falava para uma câmera de vídeo sobre a brutalidade exercida contra ele. Ele era alguns centímetros mais alto do que eu e parecia tão frágil quanto uma criança. Foi-me dada a tarefa de escoltá-lo à estação de metro mais tarde e esse homem, cuja vida foi destroçada pela crueldade, pegou a minha mão com sensível cortesia e me desejou um futuro de felicidade.
E enquanto eu viver vou me lembrar de caminhar por um corredor vazio e de repente, ouvir por detrás de uma porta fechada, um grito de pânico e horror como nunca ouvira antes. A porta abriu-se, e a funcionária enfiou a cabeça par fora e disse para eu correr e preparar uma bebida quente para o jovem aquele jovem africano. Ela tinha acabado de lhe dar a notícia de que, em retaliação pela própria sinceridade do rapaz contra o regime do seu país, a mãe dele havia sido presa e executada.
Todos os dias da minha semana de trabalho no início dos meus 20 anos eu lembrava-me de quão incrivelmente sortuda eu era por viver num país com um governo eleito democraticamente, onde um representante legal e um julgamento público eram um direito de todos.
Diariamente, eu via mais provas do que a maldade da humanidade era capaz de infligir sobre os seus semelhantes para obter ou manter o poder. Eu comecei a ter pesadelos, literalmente pesadelos, acerca de algumas das coisas que vi, ouvi e li.
E ainda assim eu aprendi mais sobre a bondade humana na Amnistia Internacional que eu nunca havia aprendido antes. A Amnistia mobiliza milhares de pessoas que nunca foram torturadas ou presas por suas crenças a agir em nome daqueles que já foram. O poder da empatia humana, que conduziu à ação coletiva, salva vidas e liberta prisioneiros. As pessoas comuns, cujo bem estar pessoal e segurança estão garantidos, juntam-se em grande número para salvar pessoas que elas não conhecem e nunca conhecerão. Minha pequena participação nesse processo foi uma das experiências mais inspiradoras da minha vida.
Diferente de qualquer outra criatura neste planeta, os seres humanos podem aprender e compreender sem terem experimentado. Eles podem imaginar-se a si mesmos na situação de outras pessoas. Evidentemente, esse é um poder, tanto como a magia da minha ficção, que é moralmente neutra. Podemos usar esta habilidade tanto para manipular, ou controlar, como simplesmente para compreender ou simpatizar. E muitos preferem não exercer suas imaginações de forma alguma. Eles optam por permanecer confortavelmente dentro dos limites de sua própria experiência, nunca se preocupando em perguntar como seria ter nascido diferente do que são. Eles podem recusar-se a ouvir os gritos ou espreitar dentro das grades; eles podem fechar as suas mentes e corações para qualquer sofrimento que não os toquem pessoalmente; eles podem-se recusar a saber.
Eu poderia ser tentada a invejar pessoas que conseguem viver dessa maneira, exceto por achar que eles não têm menos pesadelos que eu. Escolher viver com uma percepção tão limitada pode levar a uma lesão mental chamada de agorafobia, e isso resulta na sua propria medida de terrores. Eu acho que quem bloqueia intencionalmente a imaginação vê mais monstros e eles são quase sempre mas tenebrosos.
Além disso, aqueles que optam por não simpatizar trazem à existencia monstros reais. Pois mesmo sem nunca cometermos um ato claro de maldade, nós colaboramos com isso através da nossa própria apatia.
Uma das muitas coisas que aprendi no fim do corredor de Literatura Clássica no qual eu me aventurei aos 18 anos, em busca de algo que eu não conseguia definir, foi algo escrito pelo autor grego Plutarco: “O que nós alcançamos internamente mudará a realidade exterior.”
Esta é uma afirmação surpreendente e ainda comprovada milhares de vezes todos os dias de nossas vidas. Ela exprime, em parte, a nossa inevitável ligação com o mundo exterior, o facto de que nós tocamos as vidas de outras pessoas simplesmente por existirmos.
Mas o quão mais vocês estão, formandos de Harvard de 2008, destinados a tocar as vidas de outras pessoas? Sua inteligência, sua capacidade para o trabalho duro, a educação que vocês receberam e irão passar, dão vos um status único e responsabilidades únicas. Até a sua nacionalidade os destaca. A grande maioria de vocês pertence à única super potência remanescente do mundo. A maneira com que vocês votam, a maneira como vivem, a forma como protestam, a influência que têm sobre seu próprio governo, tem um impacto muito além das suas fronteiras. Esse é vosso privilégio e o vosso fardo.
Se vocês escolherem usar seu status e influência para levantar as vossas vozes em nome daqueles que não têm voz; se optarem por se identificarem não apenas com os poderosos, mas com aqueles que não têm poder; se vocês preservarem a capacidade de imaginar a si próprios na vida daqueles que não têm as suas vantagens, então não vão ser apenas as vossas orgulhosas famílias que vão celebrar a vossa existência, mas sim milhares e milhões de pessoas cuja realidade vocês terão ajudado a transformar para melhor. Nós não precisamos de magia para mudar o mundo, nós já carregamos todo o poder que precisamos dentro de nós mesmos: nós temos o poder de imaginar melhor.
Estou quase a terminar. Eu tenho uma última expectativa para vocês, que é algo que eu já tinha aos 21 anos. Os amigos com quem me sentei no dia da formatura têm sido os meus amigos para a vida. Eles são os padrinhos dos meus filhos, as pessoas a quem eu tenho sido capaz de recorrer em momentos de dificuldades, os amigos que têm a gentileza de não me processarem quando usei os seus nomes para os Comensais da Morte. Na nossa formatura, fomos ligados por uma enorme afeição, pelas nossas experiências compartilhadas de um tempo que nunca poderia voltar e, é claro, pelas evidencias fotograficas que temos guardado que seriam extremamente valiosas se alguns de nós concorrêssemos a Primeiro Ministro.
Portanto, hoje não vos desejona nada melhor do que amizades deste tipo. E amanhã, mesmo se vocês não se lembrarem de uma única palavra minha, espero que se lembrem das palavras de Sêneca, outro daqueles romanos antigos que eu conheci quando fugi para o corredor de Literatura Clássica, em fuga de uma carreira promissora, em busca da antiga sabedoria: “Conforme um conto, assim é a vida: não é a sua extensão mas a sua qualidade que importa.”.
Desejo a todos vidas muito boas,
Muito obrigada.




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